Brasileiros e o menor engajamento no consumo sustentável

A inflação no Brasil tem sido uma barreira na adoção de comportamentos de consumo mais sustentáveis e este ano o engajamento tem sido menor ...

A inflação no Brasil tem sido uma barreira na adoção de comportamentos de consumo mais sustentáveis e este ano o engajamento tem sido menor que em anos anteriores e abaixo da média global. É o que mostra a 4ª edição do estudo Who Cares, Who Does? da Kantar, líder em dados, insights e consultoria, que correlaciona atitudes em torno da sustentabilidade ao comportamento de compra de alimentos, bebidas, cuidados pessoais e limpeza do lar.
O estudo divide os consumidores em três grupos de relação com o meio ambiente: EcoDismissers, que têm pouco ou nenhum interesse pelos desafios ambientais do planeta e não estão fazendo nada para mudar esta postura; EcoConsiderers, que tomam algumas medidas para reduzir seu impacto ambiental; e EcoActives, que trabalham constantemente para diminuir os níveis de resíduos plásticos e proteger o meio ambiente.
Globalmente, até 2021, o engajamento eco estava bastante ativo, enquanto avançava com menos força na América Latina. Este ano, pela primeira vez, os EcoActives estão em declínio e os EcoDismissers estão aumentando. Entre as maiores razões para este quadro estão as preocupações com a guerra, a economia e os impactos da inflação.
O estudo mostra que no Brasil, em 2022, há menos consumidores engajados e mais desinteressados pela questão do meio ambiente do que em 2021 e 2019. Os actives representam apenas 5% dos consumidores, 3 pontos percentuais a menos do que em 2021 e 2,8 a menos do que em 2019; já os considerers hoje são 16%, -6,4 pontos percentuais em relação ao ano passado e -8 comparados com 2019. A marca dos que têm pouco ou nenhum interesse pelo tema chegou a 80% este ano, um salto de +10,5 pontos percentuais em relação a 2021 e +12 pontos percentuais em relação a 2019.
Esses números são reflexo do atual momento da economia. Com a inflação nos preços de alimentos, bebidas, itens de higiene pessoal e de limpeza, os brasileiros têm que fazer escolhas para equilibrar o orçamento e acabam deixando de lado as preocupações com produtos sustentáveis, que geralmente são mais caros que os que não têm esse apelo.
Apesar da maioria dos consumidores alegar ter preocupação em comprar produtos mais sustentáveis, com embalagens que respeitam o meio ambiente (54,6%), produzidos localmente (43,2%) ou com embalagens recicláveis (48,7%), no geral, menos de 30% tomam atitudes efetivas sobre plásticos em suas compras.
Outro ponto de atenção do estudo é sobre a credibilidade das ações sustentáveis empenhadas pelas marcas. Quase metade dos entrevistados (46%) concorda que empresas só se preocupam com lucro e as ações ecológicas são apenas ferramentas de marketing.

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