Batatinha quando renasce

Com fábrica no Brasil, elas ficam mais baratas e as vendas crescem
Raich, da Kellogg: preocupação agora é manter o preço do produto final.

Ao eleger o Brasil como prioridade entre os países emergentes, a americana Kellogg tem conseguido encaixar melhor o preço de seus produtos no bolso do consumidor através de investimentos na produção local. Com isso, dobrou sua participação de mercado no Brasil em 2020 e pretende assumir a liderança da categoria salgadinhos de batata até o fim do ano que vem, alerta Alberto Raich, vice-presidente e gerente-geral da Kellogg no Brasil.

Depois de comprar a Parati em 2016, fabricante de biscoitos mais conhecida no Sul brasileiro, a Kellogg investiu mais de US$ 100 milhões no parque industrial da empresa em Santa Catarina. Desde 2018, as batatinhas Pringles são integralmente produzidas no Brasil. Por isso, mesmo com a disparada do dólar no último ano, o preço da Pringles ao consumidor final passou de algo entre R$ 11 e R$ 14 há três anos para cerca de R$ 10, cotação mantida até hoje em dia. Segundo Raich, se a produção não tivesse sido nacionalizada o produto se tornaria inviável, com a alta do dólar.

O crescimento nos últimos anos não foi uma surpresa, frisa o executivo. “Com a operação no Brasil e o investimento na fábrica, ganhamos fôlego para fazer ações de marketing e operar bem o negócio”, assinala.

A planta catarinense permitiu ainda que os produtos se adaptassem ao paladar do brasileiro. Foram criadas variações regionais, entre as quais a do adorado sabor de churrasco. Um dos cuidados da companhia de agora em diante, porém, é manter o preço do produto final. “Há inflação de matérias-primas e estamos buscando corrigir”, alerta Raich. “Isso se faz na escala com fornecedores, melhores negociações, revisão de estruturas de produção e ganhos de eficiência. Não queremos reduzir investimentos no mercado ou nosso quadro efetivo”, acrescenta.

Deixe um comentário

Novos Tempos